Carros no nome da avó e contatos no Paraguai: Saiba quem são os 11 presos suspeitos de traficar drogas para clientes de alto padrão na BA
24/09/2026
(Foto: Reprodução) Operação mira grupo que vendia drogas para clientes de alto poder aquisitivo na Bahia
Onze pessoas foram presas na Bahia e uma teve um mandado de prisão cumprido no sistema prisional de Sergipe, por suspeita de integrarem um grupo que vendia drogas para clientes de alto poder aquisitivo. Eles são investigados por movimentarem quase R$ 10 milhões.
Os mandados de prisão e as prisões em flagrante foram cumpridas nesta quinta-feira (24), em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus, durante a Operação Icebearg, da Polícia Civil.
Droga vendida para clientes de alto poder aquisitivo na Bahia era escondida dentro de creme para cabelo
O alvo da operação, Erick Castro Gusmão Seixas, atuava vendendo as drogas pelas redes sociais. Para ocultar os valores ilícitos, ele usava o nome da avó para registar veículos de alto padrão.
O g1 apura os dados do 11º preso na operação e tenta localizar as defesas dos suspeitos presos.
Veja quem são os presos na operação:
Erick Castro Gusmão Seixas - alvo principal da operação
Erick Castro Gusmão Seixas , alvo principal da operação
Redes sociais
Teve a prisão preventiva cumprida e também foi preso em flagrante por posse de drogas.
Atuava comercializando variações de maconha de forma profissionalizada pelas redes sociais.
Para ocultar valores ilícitos, utilizava uma empresa individual de fachada, contas de terceiros e o nome da sua avó para registar veículos de alto padrão, além de ter negociado arma de fogo.
Theo Macedo e Dantas
Theo Macedo e Dantas, apontado como responsável por movimentar mais de R$ 600 mil
Redes sociais
Atuava como o principal fornecedor de entorpecentes para o líder do esquema, Erik, sendo o maior remetente de valores da investigação com R$ 621.489,73 movimentados.
Para viabilizar o recebimento e a lavagem dos lucros, ele utiliza a sua conta bancária pessoal e a empresa inativa da sua mãe como fachada.
A sua atuação foi corroborada por quebras telefônicas e financeiras, que evidenciaram pagamentos diretos de revendedores e conversas a proximidade com Erik é reconhecida.
Luan Costa da Silva
Luan Costa da Silva, apontado como distribuidor de drogas em grande escala no interior da Bahia
Redes sociais
Teve a prisão preventiva cumprida e também foi preso em flagrante por posse de drogas.
Distribuidor de drogas em grande escala no interior da Bahia, com forte atuação em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano.
Responsável pela gestão e logística de remessas de grandes quantidades, utilizando contas e linhas telefónicas de terceiros para dissimular os rastros.
Negociou a venda de uma pistola glock com Erik.
Marco Antonio Cavalcanti de Azevedo Lopes
Marco Antonio Cavalcanti, apontado como distribuidor regional em Vitória da Conquista
Redes sociais
Teve a prisão preventiva cumprida e também foi preso em flagrante por posse de drogas.
Distribuidor regional em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, e em cidades vizinhas.
Fornecia instruções técnicas a Erik sobre a dissimulação de cargas, ensinando a embalar drogas a vácuo dentro de potes de creme para ocultar o odor durante o transporte.
Laisa Franca Lacerda
Laisa Franca Lacerda, apontada como responsável por movimentar R$ 180 mil
Redes sociais
Disponibilizava a própria residência como ponto logístico e físico para o armazenamento e a retirada de drogas por compradores.
Atuou na pulverização financeira do grupo, movimentando mais de R$ 180 mil por meio de contas pessoais e de uma empresa de fachada.
Matheus Ribeiro Mello do Nascimento
Matheus Ribeiro Mello do Nascimento, responsável por procurar fontes de abastecimento no Paraguai.
Redes sociais
Teve a prisão preventiva cumprida
Evoluiu de comprador para revendedor, intermediando compras para terceiros e procurando fontes de abastecimento no Paraguai.
Realizava o tráfico na própria residência, valendo-se do veículo do pai e de contas de terceiros para dissimular pagamentos.
Marcelo Botelho Reis
Marcelo Botelho Reis, apontado como comprador com indícios de aquisição de drogas para revenda.
Redes sociais
Preso em flagrante com arma de fogo.
Comprador com indícios de aquisição de drogas para revenda.
Movimentou mais de R$ 46 mil com Erik e tem histórico criminal, incluindo prisões anteriores por tentativa de aquisição de "heroína caipira".
Tyago de Assis Conceição
Tyago de Assis Conceição, apontado como alvo simultâneo de outra investigação de combate ao tráfico.
Redes sociais
Preso no sistema prisional de Sergipe
Fornecedor de drogas que apresenta um padrão financeiro invertido, ou seja, recebia de Erik mais do que paga.
O seu cpf está vinculado à empresa "Xalove Mouse", inapta desde 2022.
É alvo simultâneo de outra investigação de combate ao tráfico (Operação Zimmer), o que torna altamente crível a sua participação nestas atividades ilícitas.
Guilherme Rodrigues de Oliveira
Guilherme Rodrigues de Oliveira, apontado como responsável por movimentar R$ 281.715,40.
Redes sociais
Teve a prisão preventiva cumprida
Sócio único da empresa metalnor "Gold Auto Peças".
Apresentou o maior volume individual de movimentação financeira R$ 281.715,40.
Investigações confirmaram que a empresa é de fachada e não mantém atividade real desde 2023. Ela servia lavagem de dinheiro, concentrados no ano de 2024. Até o momento, não há vínculo direto com a comercialização de drogas.
Luccius Magno Fernandes Neiva Gomes
Luccius Magno Fernandes Neiva Gomes, apontado como responsável por operar no esquema de lavagem de capitais.
Redes sociais
Preso na zona rural de Jaguaripe.
Operava no esquema de lavagem de capitais utilizando uma empresa de fachada chamada "Grupo Thor".
Camila Ingrid Dourado Bezerra
Namorada de Luccius.
Presa em flagrante após uma grande quantidade de droga ser encontrada na sua residência.
Robson Siqueira Reis
Robson Siqueira Reis
Redes sociais
Teve mandado de prisão cumprido
Drogas eram anunciadas no Instagram
De acordo com a Polícia Civil, as redes sociais funcionavam como uma espécie de vitrine para os entorpecentes. Os clientes faziam os pedidos por mensagens privadas e recebiam as drogas em locais previamente combinados.
As entregas eram feitas em embalagens fechadas e padronizadas, sem identificação do conteúdo, em uma dinâmica semelhante à de serviços convencionais de entrega.
Entre as drogas identificadas na investigação estão produtos comercializados com os nomes ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA. Este último, segundo a polícia, está relacionado a variedades de cannabis importadas.
Os investigadores apontam que os preços e a forma de apresentação dos produtos eram direcionados a consumidores dispostos a pagar mais por drogas consideradas de maior qualidade.
Vida de luxo
A investigação também identificou uma estrutura que, segundo a Polícia Civil, tentava esconder a atividade ilegal por trás de uma rotina de alto padrão.
Os suspeitos se apresentavam como empresários, moravam em imóveis de alto padrão e circulavam com veículos de luxo.
Entre os bens atingidos pelas medidas judiciais estão oito carros e uma motocicleta. A lista inclui modelos como Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass e Chevrolet Tracker, além de uma Honda NXR 160 Bros.
Segundo a polícia, o valor estimado dos veículos ultrapassa R$ 1,1 milhão, considerando a tabela Fipe.
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